AYURVEDA - A CIÊNCIA DA LONGA VIDA





Tida como a ciência médica mais antiga do mundo, a Ayurveda trata o ser humano como um todo, buscando o estado de saúde pleno e a harmonia na vida.






A Medicina Ayurvédica é um sistema desenvolvido pelos antigos Sábios da Índia, tendo a mesma origem dos sistemas de meditação, yoga e astrologia, baseada nos milenares Vedas (verdade). Estes textos cuja origem no tempo é desconhecida são, originalmente, em número de quatro: Rig, Sama, Yajur e Atharva. Os assuntos tratados são saúde, astrologia, o caminho espiritual, governo, treinamento de guerreiros, poesia e ética. O Rig Veda contém 10572 hinos sobre as tipologias humanas, considerando o transplante de órgãos, uso de ervas no tratamento de doenças físicas e psíquicas e a obtenção da longevidade. O Atharva Veda contém 5977 hinos sobre anatomia, fisiologia e cirurgia. Eles citam os médicos celestiais (Brahma, Daksha Prajapati, os Kumaras e Indra) e consideram Dhanwantari o divino Pai da Ayurveda. Este Ser Celestial é invocado sempre nas atividades ayurvédicas.




Divodasa Dhanwantari desenvolveu a escola de cirurgia da Ayurveda, provavelmente entre os séculos nove e seis antes de Cristo, surgindo um dos textos fundamentais da Ayurveda denominado Sushrut Samhita.



O Sábio Kashyapa desenvolveu as escolas de pediatria e ginecologia e o Sábio Bharadwaj, considerado o pai humano da Ayurveda, teve como discípulo Atreya que desenvolveu a escola de clínica médica e escreveu, provavelmente no primeiro século depois de Cristo, o Charak Samhita, outro texto fundamental da Ayurveda. Estes dois grandes tratados foram seguidos do Ashtanga Hridayam, uma versão concisa dos anteriores, escrito no século oito depois de Cristo. Conseqüentemente a Medicina Ayurvédica é o sistema médico mais antigo do mundo. Este sistema foi absorvido pelos chineses, tibetanos, gregos, romanos, egípcios, persas e outros que viajavam para terem contato com a sabedoria e retornarem às suas terras de origem. O Caminho da Seda das Índias estabeleceu a rota entre a Ásia, o Meio Oriente e a Europa, provendo a ligação entre as culturas.



Nas Escolas da Índia antiga os estudantes eram treinados em oito “especialidades” da Ayurveda:


Medicina Interna

Ouvidos, nariz e boca.

Toxicologia

Pediatria

Cirurgia

Psiquiatria

Afrodisíacos

Longevidade


Nas minhas pesquisas, que já levam mais de vinte e cinco anos, compatibilizando os sistemas tradicionais e chamados “alternativos” com a medicina alopática convencional, não encontrei nenhum sistema mais completo e mais holístico (integral) que a medicina ayurvédica. Ela enfatiza terapias preventivas e curativas, por vários métodos de eliminação de toxinas do corpo e da mente, levando a um melhor funcionamento celular que consubstancia o tão propalado conceito de longevidade e “rejuvenescimento” deste sistema médico.



Ayurveda é mais que um mero sistema de saúde. Ela é uma ciência e uma arte do apropriado viver, que ajuda a obter longevidade. Ela pode guiar todo indivíduo na escolha apropriada da dieta, hábitos de vida e exercícios que restauram o equilíbrio do corpo, da mente e da consciência, prevenindo doenças e tratando enfermidades já instauradas.



De acordo com a Ayurveda, todo ser humano é um fenômeno único da consciência cósmica, manifestado através dos cinco elementos básicos da natureza (terra, água, fogo, ar e akasha). Obviamente, os nomes terra, água... não se referem aos elementos tais como os conhecemos atualmente, mas a estados da matéria. A física quântica, nas suas teorias e pesquisas de ponta, descreve o universo como uma possibilidade dentro da consciência, corroborando a percepção dos antigos Sábios.


A combinação destes cinco elementos forma três organizações do corpo ou tipologias, que são:

· Vata - éter mais ar – leveza, estrutura esguia, rapidez nas atividades, fome e digestão irregulares, sono leve e interrompido, entusiasmo, vivacidade, imaginação; excitabilidade, mudança de humor, tendência à preocupação, energia física e mental em explosões repentinas.

· Pitta - fogo mais água – constituição mediana, temperamento empreendedor, gosto por desafios; inteligência aguçada, muita fome, sede e boa digestão; tendência à raiva e irritabilidade sob tensão; aversão ao sol e ao calor; caloroso e ardente nas emoções, quando equilibrado.

· Kapha - água mais terra – constituição forte e sólida; energia constante, gestos vagarosos e graciosos; personalidade calma e tranqüila; tendência à obesidade; afeição, tolerância e generosidade; tendência à possessividade e complacência; buscar consolo emocional nos alimentos.

Todo temperamento psicossomático ou constituição é determinado por estes três doshas no momento da fecundação. Quando o embrião é formado, sua constituição está determinada, tal como o código genético e determina essas características até a morte física.


Existem sete constituições básicas de acordo com a Ayurveda:

vata

pitta-kapha

pitta

kapha-vata

kapha

vata-pitta-kapha

vata-pitta

Este código energético original tem, em cada ser humano, seu próprio e único equilíbrio de V-P-K de acordo com sua própria natureza. Este equilíbrio V-P-K é a ordem natural. Então, quando este equilíbrio dos doshas está perturbado, origina-se o desequilíbrio, que é desarmonia. Saúde é harmonia; doença é desarmonia. No corpo há uma constante interação entre harmonia e desarmonia. Se entendermos a natureza e estrutura da desarmonia, poderemos restabelecer a harmonia. A Medicina ayurvédica acredita que esta harmonia repousa dentro da desarmonia.


Para que se estabeleça e se mantenha esta ordem (harmonia), que é o estado de saúde, na concepção ayurvédica, é preciso que:


AGNI, o metabolismo, representado pela capacidade de digestão (transformação dos alimentos em energia) esteja em condição balanceada;

As energias básicas do corpo (Vata, Pitta e Kapha) estejam em equilíbrio;

Os três elementos de excreção (urina, fezes e suor) sejam produzidos e eliminados normalmente,

Os sete tecidos do corpo – rasa (plasma), rakta (glóbulos sanguíneos), mamsa (músculos), meda (tecido gorduroso), asthi (tecidos ósseo e nervoso), majja (medula óssea) e sukra (tecidos reprodutores) estejam funcionando normalmente;

A mente, os sentidos e a consciência estejam trabalhando em conjunto e de maneira harmoniosa.



Quando o equilíbrio destes sistemas é perturbado, a doença (desarmonia) inicia seu processo.

O ambiente interno é governado por V-P-K que estão em constante interação com o ambiente externo. Uma dieta inadequada, hábitos, estilo de vida, combinação de alimentos incompatíveis, mudanças de estação, emoções reprimidas e fatores de stress podem agir em conjunto ou separadamente para mudarem o equilíbrio de V-P-K.


Isto leva, entre outras coisas, a um processo digestivo inadequado.


As bactérias intestinais, responsáveis pela fermentação e putrefação destes restos de alimentos mal digeridos, transformam este conteúdo em toxinas como o indol, o escatol, a cadaverina e a putrescina (algumas substâncias já identificadas como altamente tóxicas).


Os próprios alimentos que ingerimos em nossa “dieta moderna” já estão repletos de toxinas.



Esta toxicidade acumulada, uma vez bem estabelecida, irá vagarosamente afetando prana (energia vital), ojas (imunidade) e tejas (energia do metabolismo celular) resultando em doença.

O médico com formação ayurvédica deve ter profundo conhecimento da filosofia védica e de sua extensa psicologia, das técnicas do yoga e meditação, das ervas medicinais e dos processos de desintoxicação física e psíquica.

O atendimento começa por uma completa consulta médica que inclui a semiologia e propedêutica médica ocidental e a definição do dosha (código energético original) e os desequilíbrios existentes, através de um cuidadoso exame que inclui um grande número de características físicas e psíquicas.


Em seguida, inteiramente baseado nesta definição, é instituído o tratamento que inclui:


Meditação: o ponto culminante do tratamento.



É o solo fértil onde se enraízam todas as outras formas terapêuticas.



Sem a meditação não se completa o verdadeiro potencial curador da medicina ayurvédica. Uma técnica específica é fornecida a cada cliente para ser praticada diariamente.



Dieta: Há um complexo conhecimento do efeito dos diversos alimentos sobre estas energias originais levando ao equilíbrio ou à desarmonia. Os alimentos mais apropriados, a forma de prepara-los, o uso de temperos adequados, as associações corretas, jejuns periódicos são alguns dos elementos da dieta.


Assim, por exemplo, Vata deve dar preferência a alimentos cozidos, quentes e energéticos e a refeições freqüentes; Pitta alimentos frios, crus e coloridos e evitar excesso de condimentos; Kapha evitar alimentos gordurosos e com muitos líquidos e utilizar condimentos que estimulam a digestão e o metabolismo, como o gengibre.


Ervas medicinais: cultivadas em lugares especiais, colhidas e processadas de maneira a conservar não só suas propriedades bioquímicas, como também energéticas e espirituais, têm um relevante papel no tratamento medicamentoso da ayurveda.



Rotina diária: as 24 horas do dia são divididas em ciclos que sofrem a influência predominante de um dos três doshas (V-P-K). Com este conhecimento procura-se adaptar a rotina diária de horários de atividades, alimentação, repouso, meditação e sono nos períodos que sejam mais benéficos e que possam promover a saúde.



Assim, por exemplo, levantar bem cedo, meditar ao nascer do sol, fazer do almoço a principal refeição do dia, não comer à noite e não dormir muito tarde encontram respaldo lógico nos ciclos diários.


Panchakarma: são processos de desintoxicação profunda.



Incluem técnicas preparatórias e principais.



Entre as primeiras estão:



Shirodhara: fluxo contínuo de óleo morno, acompanhado de medicamentos, no centro da testa, produzindo profundo relaxamento.

Abhyanga: massagens feitas com óleos associados com ervas medicinais, com estímulos de pontos energéticos chamados marmas.

Swedhana: banho de vapor aquecido medicado.

Garshana: estímulo da pele realizado com uma luva de seda e pós medicinais.



Entre as técnicas principais:

· Vamana: limpeza gástrica

· Virechana: uso de laxantes com medicamentos ayurvédicos.

· Basti: enemas feitos com ervas medicinais.

· Nasya: limpeza nasal

· Rakta moksha



Yoga: exercícios psicofísicos associados a técnicas respiratórias, devidamente preparados e adaptados a cada pessoa.



Se você deseja utilizar estes conhecimentos básicos da ayurveda de maneira preventiva em sua vida, inicie lendo dois bons livros em português: A Ciência da Auto Cura de Vasant Lad e Saúde Perfeita de Deepak Chopra. Procure se aproximar do diagnóstico adequado de seu dosha e dos desequilíbrios existentes fazendo uma auto-análise à luz dos conhecimentos desses livros.



Em seguida, adapte sua alimentação, progressivamente, à tipologia que você considera mais próxima da sua. Busque utilizar os temperos adequados em sua alimentação.



Faça Yoga de acordo com suas características.



Medite diariamente. Para isso, procure a orientação de um professor com experiência e formado de acordo com os métodos tradicionais do Yoga. Inclua a dimensão espiritual em sua vida, ou seja, busque o aspecto devocional por aquele aspecto do Supremo que mais lhe toque o coração.



Cante Mantras quando acordar (agradecendo a oportunidade de um novo dia de experiências), ao tomar banho, em sua prática diária, antes de alimentar-se, antes de dormir.



“Sacralize” sua vida e os elementos que a compõem e você verá que precisará muito menos de antiinflamatórios, antibióticos, analgésicos, calmantes, antidepressivos, etc., poderá alcançar longevidade, força física e uma sensação de bem estar que se expandirá para aqueles que o cercam.



A felicidade é fruto da paz interna e aquele que está feliz é, naturalmente, bondoso.



Assim, vive o Dharma doce como o néctar (susukham kartum) tal como ensina Sri Krishna, afastando-se do conceito de que só a dor purifica e eleva o homem(!).

Este breve e incompleto resumo da medicina ayurvédica não pode terminar sem dizermos que ela, mais que todos os outros sistemas médicos, traz de volta o sagrado direito e dever da auto-responsabilidade sobre nossa própria saúde e bem estar, porque enfatiza aquilo que todos sabem, mas poucos praticam e, pior ainda, poucos médicos dão a necessária ênfase na prática diária com seus clientes, de que a saúde se promove com alimentação adequada, exercícios físicos e estado mental positivo.

*Artigo editado na Revista Sexto Sentido n°21 pelo Dr. José Ruguê Ribeiro Junior

"Ayurveda a Ciência Médica da Vida Longa"



Alimentação Ayurvedica




O processo de industrialização de nossa sociedade, levando ao estímulo massacrante ao consumo para escoar a produção e privilegiando os produtos manufaturados, artificialmente produzidos, sobre os naturais, para melhorar os balanços financeiros das empresas, arrastou a Medicina consigo, incorporando os mesmos princípios na lide diária de preservar a saúde e tratar os doentes. Com isso, está sendo incutido em nossas mentes, pela cultura predominante, um falso sentimento de segurança que advém da alta tecnologia utilizada pela Medicina. Exames sofisticados, intervenções cirúrgicas em ambientes de alta tecnologia e medicamentos sintéticos produzidos dentro dos mais modernos processos bioquímicos podem garantir diagnósticos precoces e tratamentos eficazes. Mas, apesar de todo esse desenvolvimento propalado com tanto ufanismo, a realidade é que nossos principais “matadores”, as doenças cardiovasculares e o câncer têm crescido assustadoramente. O infarto agudo do miocárdio, uma das maiores causas de morte no mundo, por exemplo, mata 30% daqueles que sofrem um ataque dessa doença no mesmo local no qual ocorre, antes que a pessoa sequer tenha condições de ser socorrida, de nada resolvendo equipamentos que custam milhões de dólares instalados em hospitais, para salvar-lhes a vida. Outra elevada porcentagem morre ou sofre seqüelas graves do mesmo problema ainda dentro do Hospital, por mais complexa que seja a tecnologia utilizada. Os países que concentram riquezas passaram a gastar bilhões de dólares anualmente para manter esse sistema tecnológico de assistência médica o que torna seu acesso impossível universalmente, em países como o Brasil.

Nesse panorama, elevado custo focado na tecnologia x doença e frustração na incidência de doenças que causam morte e incapacitação, a OMS (Organização Mundial da Saúde) tem previsto para o final dessa década, no Brasil, uma epidemia daquilo que foi denominado síndrome metabólica (hipertensão arterial, colesterol elevado, diabete mellitus e obesidade) com conseqüências graves no aumento das doenças cardiovasculares e morte. Essa síndrome é essencialmente causada pelo estilo de vida – dieta inadequada, sedentarismo, atitude mental negativa (raiva, ansiedade, competitividade excessiva, egoísmo, depressão...).

Os valores opostos a isso, alimentação saudável, exercícios físicos e estado mental positivo sempre foram defendidos e promovidos pelos ensinamentos do Yoga como fatores fundamentais da harmonia interna e externa e menosprezados por boa parte da sociedade fortemente influenciada pelo “aculturamento” da propaganda enganosa que diz que você pode comer qualquer coisa e tomar aquele “remedinho” milagroso que vai resolver todos os seus problemas ou, não é necessário trabalhar sobre sua natureza psicológica e espiritual, seus desejos não satisfeitos ou a busca desenfreada de satisfaze-los, basta tomar aquele antidepressivo de “última geração” e você será feliz. Implícito na expressão “última geração” está o conceito comercial de substituir periodicamente uma droga por outra nova para manter a esperança das pessoas e aumentar o faturamento das empresas. De passagem é importante dizer que não há oposição ao uso desses medicamentos, necessários em certas circunstâncias.

Medicina AyurvédicaA Medicina Ayurvédica, o sistema de cura e prevenção das doenças mais antigo do mundo, baseado nos Vedas da Índia, que já tive a oportunidade de apresentar aos leitores da Sexto Sentido anteriormente, tem desenvolvido, por séculos, um profundo conhecimento desses fatores citados como promotores de saúde (alimentação, exercícios e estado mental) e, por isso, muitos médicos, cientistas e educadores, tanto no oriente como no ocidente, têm visto nesse sistema um grande instrumento para tornar universal o acessos à saúde.

Vamos tratar da visão ayurvédica da alimentação em três artigos: nesse primeiro, escrevendo sobre os fundamentos da ayurveda; no segundo, sobre os conceitos gerais da alimentação de acordo com os doshas e por que não basta ser vegetariano para ter uma alimentação saudável e, no terceiro, dicas gerais de antídotos dos alimentos, culinária ayurvédica, cardápios, etc.

A Ayurveda parte do princípio védico, baseado na filosofia Sankhya, cujo ensinamento fundamental é da existência do princípio único, ou seja, tudo na natureza é formado por uma única substância (Prakritti) que se manifesta em cinco estados diferentes. Esses estados foram chamados de elementos (Buthas) que são terra, água, fogo, ar e éter ou akasha. Este princípio tem implicações universais, mas, especificamente para o trabalho da Ayurveda, quando o elemento terra e água se unem formam a energia chamada kapha. Quando água e fogo se unem formam a energia chamada pitta e, ar e éter, a energia chamada vata. Da mesma maneira que no momento da fecundação se forma nosso mapa genético que é determinante em nossas vidas, no conceito da Ayurveda também se forma, nesse mesmo momento, nosso mapa energético constituído pela junção dessas energias vata, pitta e kapha. Esse mapa energético forma um verdadeiro molde no qual toda a nossa estrutura física, energética, emocional, intelectual e espiritual se desenvolve ao longo de toda a nossa vida.

Apesar de ser constituído pelas três energias, cada ser humano tem uma proporção única de vata, pitta e kapha, compondo, então, sete tipos humanos diferentes, 3 formados pelo predomínio de uma energia, 3 formados pelo predomínio de 2 energias e 1 formado pelo mesmo nível das três energias ( V, P, K, V-P, V-K, P-K, V-P-K).

Aqueles que têm o predomínio da energia kapha têm as seguintes características:



Constituição forte e sólida, grande energia e resistência física.

Energia constante, gestos vagarosos e graciosos.

Personalidade calma e tranqüila; lentidão para se enfurecer.

Pele fria, macia, grossa, pálida e geralmente oleosa.

Lentidão para adquirir novas informações, mas boa memória.

Sono profundo e prolongado

Tendência à obesidade

Digestão vagarosa, fome moderada.

Afeição, tolerância, generosidade.

Tendência a possessividade, complacência.

Meditar muito tempo antes de tomar decisões

Acordar vagarosamente, ficar na cama muito tempo e necessitar de café.

Ser feliz com a situação existente e preserva-la conciliando os que o rodeiam

Respeitar os outros e empatia

Buscar consolo emocional nos alimentos

Andar leve, mesmo com excesso de peso.



As doenças mais comuns no tipo Kapha são a obesidade, o diabetes mellitus, o colesterol elevado, os problemas respiratórios com muco e a depressão.



O tipo Pitta apresenta as seguintes características:

Constituição mediana

Vigor e resistência medianos

Temperamento empreendedor, gosto por desafios.

Inteligência aguçada

Muita fome, sede e boa digestão.

Tendência à raiva e à irritabilidade sob tensão

Pele clara, rosada e freqüentemente sardenta.

Aversão ao sol e ao calor

Aversão a omitir refeições

Cabelo louro, castanho claro ou ruivo e tendência ao grisalho muito cedo

Sentir fome voraz se o jantar atrasa meia hora

Viver consultando o relógio e ressentir-se pela perda de tempo

Acordar durante a noite sentindo calor e sede

Assumir o controle de uma situação ou sentir que deveria

Exigente, sarcástico ou crítico demais.

Andar com passos determinados

Calorosos e ardentes nas emoções, quando equilibrados.

Reage ao mundo visualmente



As doenças mais comuns no Pitta são a hipertensão arterial, gastrites, sangramentos, enxaquecas e erupções na pele.



No tipo vata essas são as características principais:



Leveza, estrutura esguia.

Rapidez nas atividades

Fome e digestão irregulares

Sono leve e interrompido, insônia.

Entusiasmo, vivacidade, imaginação.

Excitabilidade, mudança de humor.

Rapidez ao adquirir novas informações e esquece-las

Tendência à preocupação

Tendência a obstipação intestinal

Reage ao mundo pelo tato. Pele seca

Cansaço fácil, tendência à exaustão.

Energia mental e física em explosões repentinas

Ter fome a qualquer hora do dia ou da noite

Gostar de animação e de mudanças

Adormecer em horários diferentes, omitir refeições e manter hábitos irregulares

Ter boa digestão em um dia e má no outro

Ter explosões de emoção que duram pouco e são logo esquecidas

Andar com passo rápido



As doenças mais comuns no Vata são os problemas psicológicos como ansiedade excessiva, as doenças do sistema nervoso e as doenças osteoarticulares.



Nos outros tipos humanos que possuem o predomínio de duas dessas três energias: Vata-Pitta, Vata-Kapha e Pitta-Kapha há uma mescla de qualidades ou o predomínio de cada uma de acordo com fatores internos e externos.



Nenhum tipo humano é melhor que o outro. Não é a meta da Ayurveda manter kapha, pitta e vata nos mesmos níveis. Saúde é você estar com os três doshas nos níveis originais nos quais você nasceu. Quando as “quantidades” de vata, pitta e kapha estão no seu nível original, o que é diferente para cada pessoa, há “um estado de bem estar físico, mental e social completo e não meramente a ausência de doenças”, ou seja, realiza-se o conceito de saúde, tal como define a Organização Mundial da Saúde.

Porém, os fatores internos e externos como clima, alimentação, hábitos, a história de vida, relações pessoais, angustia, ansiedade, medos, raivas e tantos outros fatores vão produzindo acúmulos de um ou outro dosha, provocando desequilíbrios que acabam se manifestando como doença, seja física – de uma gripe simples a um câncer grave - seja psicológica – de uma ansiedade simples a uma psicose grave – seja social, manifestada por uma insatisfação, uma infelicidade no convívio humano.



Então, qual é a abordagem que um médico ayurvédico faz?



1. Define o dosha ou os doshas que estão em desequilíbrio naquele momento, pelo fato desse desequilíbrio ter caráter dinâmico, mudar constantemente. Juntamente, se definem os fatores que estão provocando esse desequilíbrio, a fim de corrigi-los. Esse diagnóstico é chamado Vikritti Pariksha.

2. Define qual é a tipologia original da pessoa. Essa não muda ao longo de toda a vida física. Esse diagnóstico é chamado Prakritti Pariksha

3. Propõe um programa de tratamento que restitua o equilíbrio original que é chamado Ayurveda Chikitsa . Portanto, muitas vezes, a Ayurveda faz um trabalho precocemente preventivo, porque pode haver um lapso de tempo no qual existe o desequilíbrio energético, sem que ele ainda tenha se manifestado como doença.

É importante ressaltar que o médico ou o terapeuta ayurvédico tem uma série de recursos bem definidos para o diagnóstico tipológico e dos desequilíbrios, onde as características dos doshas descritas anteriormente servem somente como uma generalização simplificada.



O programa de tratamento inclui:

As relações entre alimentação e saúde, alimentação e doença são muito enfatizadas pela Ayurveda. Os alimentos também possuem proporções das energias de vata, pitta e kapha. O princípio da alimentação é propiciar aqueles alimentos que reduzam o dosha em excesso e incrementem o dosha em deficiência. Uma boa dieta é a combinação correta dos alimentos que suprem os elementos vitais para o bem estar; os gêneros alimentícios são combinados em adequadas proporções para cumprir adequadamente as funções da estrutura corporal, promover a vitalidade geral e a nutrição da mente. A boa nutrição depende da capacidade de digestão e utilização apropriada dos alimentos. A presença ou ausência de doenças, a qualidade do sono e o estado mental do indivíduo afetam esta capacidade. Nos próximos números da Sexto Sentido enfatizaremos os principais aspectos da alimentação.

ERVAS MEDICINAIS:O tratamento medicamentoso da Ayurveda é totalmente baseado na aplicação de ervas medicinais, não só indicadas do ponto de vista químico, similar à nossa fitoterapia ocidental, mas principalmente do ponto de vista energético. Muitas ervas têm sido estudadas por séculos, analisando os efeitos de incrementar, reduzir ou regular os doshas e os processos metabólicos, à luz dos conceitos de sabor (rasa), potência (virya) e efeito pós-digestivo (vipak). Muitos métodos de preparação e de aplicação das ervas na Ayurveda são muito específicos dessa ciência, como os bhashmas (preparado com cinzas de metais e ervas) e a decocção de cristais e metais juntamente com as ervas para incrementar seu efeito terapêutico. Nesse sentido, a astrologia védica (Jyotish) vem como ciência complementar, auxiliando os tratamentos ayurvédicos. As massagens abhyanga com óleos e ervas, os enemas (basti), as aplicações nasais (nasya) e outros são métodos que servem também para administrar as ervas terapêuticas, além da via oral.



TÉCNICAS DE DESINTOXICAÇÃO DO ORGANISMO (PANCHAKARMA)

Ao longo do tempo nosso organismo vai acumulando toxinas adquiridas por meio daquilo que nós comemos, respiramos e pensamos. Nossos alimentos estão cheios de agrotóxicos e metais pesados, o ar poluído e os pensamentos e emoções cheios de ansiedade, medo, raiva, angústia e tantas outras emoções negativas. Por outro lado, nossa máquina metabólica, que transforma alimentos em energia e nutrientes se “desregula” quando os doshas estão em desequilíbrio. Tal como acontece com o motor de um carro que, quando se desregula, consome muita gasolina, produz pouca força mecânica e muita fumaça pelo cano de escapamento, assim, também, nossa máquina metabólica quando desregulada faz uma má transformação dos alimentos em nutrientes e energia. A pessoa, mesmo se alimentando, se sente desnutrida e cansada e os restos de alimentos não ou mal digeridos vão para os intestinos onde passam por um processo de fermentação e putrefação devido à presença de bactérias e a alta temperatura. Não existem “conservantes”no intestino para impedir esse processo. Da fermentação e putrefação são formadas substâncias químicas altamente tóxicas como o indol, escatol e outras. Essas substâncias, as toxinas exógenas, que vêm com os alimentos e as endógenas, produzidas por esse processo descrito, são absorvidas nos intestinos e circulam pelo organismo provocando alterações no sistema endócrino, metabólico, imunológico e na capacidade de auto-regulação do organismo. Na visão da Ayurveda esse acúmulo de toxinas (Ama) associado ao desequilíbrio dos doshas é a causa primária de todas as doenças ou seu fator agravante e nenhum processo de tratamento alopático, homeopático, ayurvédico, acupuntura, etc. terão seu efeito benéfico máximo como o organismo cheio de toxinas.

Portanto Panchakarma desempenha um papel fundamental em grande parte dos tratamentos ayurvédicos que, geralmente, se iniciam com dieta, ervas medicinais e panchakarma.



Essa palavra significa os cinco processos.

Eles são:

Vamana: a desintoxicação do estômago.

Virechana: desintoxicação do fígado-intestino delgado.

Basti: desintoxicação do intestino grosso.

Nasya: desintoxicação de cabeça e face

Raktamokshana: desintoxicação do sangue.

O panchakarma é precedido do processo conhecido como purva karma que visa mobilizar as toxinas e direciona-las antes que elas possam ser eliminadas pelo panchakarma. Purva karma inclui o processo de “oleação interna (snehana) e externa (abhyanga, shirodhara, etc.) e o processo de vapor aquecido medicado (swedana)”.

Por serem técnicas de mobilização profunda das toxinas devem ser executadas sob a supervisão de médicos ayurvédicos ou diretamente por eles. Nossa experiência pessoal, tendo já tratado centenas de pessoas no Brasil e acompanhado vários tratamentos na Índia, tem sido de grande entusiasmo devido à eficácia desses processos e ao sentimento de bem estar profundo que se segue ao tratamento de panchakarma.



YOGA E MEDITAÇÃO



O Yoga, a grande ciência da auto-realização, tem sido utilizado dentro da Ayurveda como método terapêutico físico, energético, psicológico e espiritual. Tem a mesma origem védica e, para nós tem sido extraordinariamente gratificante associar Yogaterapia como um dos elementos da Ayurveda e ensinar aos nossos alunos dos Cursos de Formação e do Avançado de Professores de Yoga como ver seus alunos e adaptar sua aula de Yoga à luz dos conceitos ayurvédicos. A International Association Yogaterapy, instituição com representantes em todas as partes do mundo, reunindo pesquisadores no uso terapêutico do Yoga, considerando o importante papel da Ayurveda associado ao Yoga, se transformou na International Association Yogaterapy and Ayurveda, em assembléia realizada no Rio de Janeiro, em outubro/2002, onde fui eleito Presidente e a central em nosso centro de tratamentos e de estudos da Ayurveda e do Yoga, no Suddha Sabha, em Uberlândia. A secretaria geral está em Buenos Aires, Argentina e a direção científica em Gujarat, na Índia, com o Dr. Gopalji

Ásanas específicos, pranayamas, bandhas, kriyas, mudrás, relaxamento consciente e mantras auxiliam a incrementar as tendências harmônicas da tipologia original de cada pessoa.

A meditação constitui, isoladamente, o principal elemento do tratamento ayurvédico, por dois importantes motivos:



1. Levar o cérebro a um estado de harmonização da atividade elétrica dos diversos lobos e dos dois hemisférios o que se detecta por EEG como a mesma atividade cerebral e a produção de ondas lentas, o que promove um relaxamento profundo e a secreção de diversas endorfinas altamente curativas, ou seja, o sistema nervoso central se transforma numa indústria farmacêutica altamente eficiente.

2. Promover um maior conhecimento daquilo que nós realmente somos em essência, pelo aprofundamento dos estados de consciência obtido durante a meditação. A falta desse conhecimento é o que nos leva à dor (avidya gerando dukha).

ROTINA DIÁRIA (DINACHARYA)A adaptação de nossa rotina diária à influência dos ciclos de vata, pitta e kapha durante as 24 horas do dia, acrescentando os métodos preventivos da Ayurveda ao nosso dia a dia é extremamente importante para a prevenção de doenças, mantendo nosso corpo livre de toxinas, quando associado a alimentação apropriada. Levantar bem cedo, fazer a higiene ayurvédica, ásanas, meditação, procurar almoçar com o sol a pino, sendo essa a nossa principal refeição do dia, fazer automassagem antes do banho da tarde, jantar mais leve, dormir até as 22:30 horas, sempre precedido de um relaxamento, são alguns dos procedimentos da rotina diária.

OUTROS MÉTODOS:A Ayurveda ainda utiliza outros métodos de tratamento associados como a cromoterapia, as pedras preciosas e semipreciosas, as práticas espirituais como os Yagnas e os Pujas, que trazem benéficas influências espirituais e afastam influências negativas. Alguns textos antigos consideram essas influências grandes fatores causadores de doenças. É realizada a análise da residência e do local de trabalho como fatores que participam do processo da doença e o Vastushastra nos dá o conhecimento védico da arquitetura e da disposição desses locais para obter saúde e prosperidade.



Outros Dados Sobre a Alimentação Ayurvédica



O papel primordial da alimentação na manutenção da saúde e na cura de doenças.

"Plantas, como Mães, como Deusas, eu me dirijo a Vós.

Possa eu obter a energia, a luz, o sustento de sua alma,

Que é a mesma da existência humana.”

RASA - sabor ...................... BHUTAS - elementosDoce ................................................. terra + água

Salgado ..............................................água + fogo

Ácido ................................................ terra + fogo

Adstringente ................................... terra + ar

Picante .................................................. ar + fogo

Amargo ................................................. ar + éter



Os sabores também são analisados de acordo com o Virya que é a capacidade de conter energias que tenham, intrinsecamente, a propriedade de aquecer ou resfriar:

RASA ........................... ENERGIA (Virya)Doce ....................................... Frio – 3

Salgado .................................. Quente – 3

Ácido ..................................... Quente – 2

Adstringente ........................ Frio – 2

Picante .................................. Quente – 1

Amargo ................................. Frio - 1



1 – Primeiro nível, ação mais forte.

2 - Segundo nível, ação moderada.

3 – Terceiro nível, ação mais suave.



Os sabores não têm esta capacidade de aquecer ou resfriar na mesma intensidade, por isso colocamos em números para facilitar a análise. Assim sendo, o sabor picante é o mais aquecedor e o amargo é o mais resfriante.

Devemos associar, ainda, a análise dos sabores sob o ponto de vista de certas qualidades ou Gunas. Elas são em número de 20, divididas em 10 pares de opostos.

Desses, os de ação mais direta relacionada com o tema que estamos estudando são dois:



Pesado/leve e

Úmido/seco.



Essas gunas se referem às propriedades de aumentar terra (pesado) ou ar (leve) e a de acrescentar água ou retira-la, respectivamente.



RASA ............. GUNA = Úmido/seco .......... GUNA = Leve/pesado

Doce ...................... Úmido – 1 ......................... Pesado –1

Salgado ................. Úmido – 2 .......................... Pesado – 2

Ácido ..................... Úmido – 3 .......................... Leve – 3

Adstringente .......... Seco – 3 ............................ Pesado – 3

Picante ................... Seco – 1 ............................. Leve – 2

Amargo ................... Seco - 2 ............................. Leve - 1



1 – Primeiro nível, ação mais forte.

2 - Segundo nível, ação moderada.

3 – Terceiro nível, ação mais suave.





Várias exceções existem. Por exemplo, o iogurte, apesar de ácido e doce é pesado. Essas propriedades se manifestam com o uso prolongado do alimento.

O efeito pós-digestivo (Vipak) não deve ser confundido com o sabor secundário. Ele se refere às propriedades do alimento após ser digerido no organismo.



RASA ........................................ EFEITO PÓS-DIGESTIVO = (Vipak)

Doce .......................................................... Doce

Salgado ....................................................... Doce

Ácido ............................................................ Ácido

Adstringente ................................................ Picante

Picante ......................................................... Picante

Amargo ........................................................ Picante



Assim, por exemplo, os efeitos pós-digestivos (Vipak) dos sabores doce e salgado se enquadram nas propriedades dos alimentos doces, enquanto o adstringente, picante e amargo possuem o Vipak picante, em longo prazo.

Temos, ainda, outro aspecto a ser considerado em relação aos alimentos e ervas medicinais que é o seu Prabhava ou “propriedade especial”. Estão incluídos aqui a composição química do alimento, o modo de prepara-lo e a “energia vital” daquele que prepara o alimento que lhe dá algumas propriedades especiais, que não podem ser explicadas pelo rasa, virya, vipak ou guna. Por esse motivo, nossos alimentos devem ser preparados em estado mental de elevação espiritual, como uma oferenda divina, para que possam ser infundidas neles somente energias salutares.

Sri Krishna, no Bhagavad Gita, nos ensina que todo alimento não oferecido à Divindade é tamásico, ou seja, gerador de doenças e obscuridade.

Agora, raciocinando com as informações dadas anteriormente: composição em termos dos cinco elementos e das outras propriedades dos alimentos de acordo com rasa, virya, vipak e prabhava relacionando com os doshas, podemos concluir como os alimentos exacerbam ou reduzem vata, pitta e kapha em nós e utilizar esse conhecimento para buscar a harmonia e a saúde.



Vata que contém as características de frio, seco e leve é reduzido principalmente pelo sabor salgado e, em menor intensidade, pelo ácido e pelo doce. É aumentado principalmente pelo sabor amargo (ar e éter) e, mais suavemente, pelo adstringente e picante. Esse último, por ter virya quente com muita intensidade, é benéfico para reduzir Vata, apesar de conter ar. Adstringente aumenta imediatamente Vata e amargo mais em longo prazo. Por esse motivo, o que dizer daquelas garotas adolescentes, com sonhos de se tornarem modelos famosas, fazendo uma dieta de pura salada fria, crua (predomina amargo e adstringente), sem temperos e, em horários erráticos, freqüentando festas noturnas com muitos estímulos luminosos e sonoros!! Tornam-se exemplos prontos dos desequilíbrios de Vata (magras sem energia, pálidas, com grandes “olheiras” rapidamente disfarçadas pela maquiagem, ansiosas, insones, caindo freqüentemente em estados depressivos, etc.)



Pitta é aumentado principalmente pelo sabor ácido e, em menor intensidade pelo picante e salgado. É mais reduzido pelo amargo, em seguida pelo adstringente e doce. O sabor amargo (folhas verdes, legumes, ervas digestivas) é o melhor para Pitta por descongestionar e purificar a bile e o sangue. O sabor doce é muito útil por ser frio e nutritivo.

Exemplos comuns da exacerbação de Pitta pelos sabores é a piora da gastrite por ingerir frutas ácidas, das hemorróidas pela pimenta (picante) e da hipertensão arterial pelo sal. Parece que as doutrinas de alimentação exclusiva com base em verduras e legumes crus foram feitas por pittas e para pittas!



Kapha (que é frio, úmido, pesado) é aumentado principalmente pelo sabor doce e, em menor intensidade, pelo salgado e ácido. É reduzido principalmente pelo sabor picante e, em seguida, pelo amargo e adstringente. Dietas para redução de peso para kapha em excesso, devem incrementar o uso de picantes e quentes (gengibre, pimentas, mostarda, cominho) e amargos (verduras cozidas) e reduzir o uso do sabor doce (arroz, trigo).



Vejamos, então, as propriedades terapêuticas dos diversos sabores:



Doce: é construtor e aumenta a vitalidade de todos os tecidos. Harmoniza a mente e promove o contentamento. É demulcente (suaviza as membranas mucosas), expectorante e laxante suave.



Salgado: é suavizante, laxativo e sedativo. Em pequena quantidade estimula a digestão. Em média quantidade é purgativo e, em grande quantidade, causa vômito. Descongestiona as massas de muco endurecidas, acalma os nervos e diminui a ansiedade.



Ácido: estimulante, carminativo (elimina gases), nutritivo e reduz a sede. Desperta a mente e os sentidos, promove a circulação e fortalece o coração, nutre os tecidos, com exceção do reprodutivo.



Picante: estimulante, carminantivo, diaforético (promove o suor). Estimula o metabolismo e promove as funções orgânicas. Promove o calor e a digestão. Estimula a circulação e trata a estagnação do sangue. Abre a mente e os sentidos e limpa os canais energéticos, reduzindo as dores nervosas e a tensão muscular.



Amargo: é alterativo (purifica o sangue), limpando e desintoxicando. Reduz todos os tecidos e aumenta a leveza da mente. É antibiótico e anti-séptico e também purifica a mente e as emoções. Em pequena quantidade é estimulante da digestão. Auxilia a digerir os açucares e gorduras.



Adstringente: Reduz sangramentos e outras eliminações excessivas (como suor e diarréia). Promove a saúde da pele e membranas mucosas. Enrijece os tecidos e trata prolapsos.



Quando ingerimos em excesso os alimentos que contêm cada um dos sabores, produzimos um desequilíbrio físico e mental que se reflete nos problemas de saúde expostos no quadro abaixo. Devemos entender que a quantidade ideal de cada um dos sabores varia de acordo com o dosha predominante na pessoa e que cada um dos sabores tem uma potência diferente quanto à capacidade de agravar os doshas. O sabor amargo é o que tem maior potência de agravar os doshas, em seguida, na ordem, o salgado, o ácido, o picante, o adstringente e o doce. Nosso cardápio diário deve levar em consideração essa potência , montando pratos que contenham proporções adequadas.



Devemos reconhecer que a abordagem ayurvédica desses temas pode parecer muito estranha para alguns médicos, profissionais de saúde e a população em geral, mas há profundos fundamentos que respaldam todo esse raciocínio e ele devolve, de maneira maravilhosa, a responsabilidade da manutenção da saúde àquele que realmente tem a obrigação e o dever de mante-la, que é o próprio indivíduo. As mudanças alimentares desempenham papel fundamental nisso. Obviamente, essas mudanças devem ser feitas de forma gradual, para que sejam consistentes e possam não provocar maior stress do que o próprio problema de saúde na pessoa. Nossos cursos de ayurveda têm sido muito gratos a nós professores e alunos por serem grandes motivadores de uma compreensão mais ampla da saúde, como recupera-la e como mante-la.


A Medicina Ayurvédica envolve uma grande ciência para abordar o efeito terapêutico ou produtor de doenças não só em relação aos alimentos, mas também às ervas, minerais, pedras preciosas e emoções. Essa ciência é denominada Dravya Guna Rasa Vipak Yiryadi Siddhanta, o maravilhoso conhecimento das substâncias (dravya), relacionando-as com o efeito dos seus sabores (rasa), de suas propriedades (gunas), seus efeitos pós-digestivos (vipak). Todo profissional ayurvédico deve conhecer profundamente essa Ciência, para saber prescrever a dieta e o uso das ervas e minerais medicinais.



Ela aborda as substâncias terapêuticas a partir de seus sabores, porque ao entrar em nosso organismo, por meio da boca, os alimentos, por exemplo, são decodificados pelo nosso sistema nervoso primeiramente pela impressão do sabor produzido, levando a reações de produção de enzimas digestivas, hormônios e outras substâncias, baseado nessa percepção. Os sabores revelam um intricado e dinâmico potencial terapêutico das energias contidas nas substâncias em termos de efetivamente intensificar, reduzir ou equilibrar os Doshas.

São considerados seis sabores e para podermos compreender a ação de cada um deles sobre os doshas devemos conhecer sua constituição de acordo com os cinco elementos (mahabhutas). Esse conhecimento será determinante para escolhermos os alimentos adequados, o modo de prepara-los e as combinações, tal como vimos em nosso artigo anterior.


Fonte:



http://cicaterapiasalimentacao.blogspot.com.br/


"Ayurveda (Ciência da Vida) é reconhecida como Medicina pelo Conselho Mundial de Saúde e surgiu na Índia há mais de 5.000 anos, onde até hoje é ensinada em inúmeras Faculdades"


Ayurveda significa a ciência (Veda) da longevidade (Ayur). Ela se baseia na harmonia para o alcance da felicidade, por meio de um processo silencioso da mente, a fim de se buscar a verdade e a plenitude.


Essa ciência - que apesar de se manter atualizada é também o sistema terapêutico mais antigo do mundo, por se basear em textos sagrados - faz uso de plantas medicinais, massagens, acupuntura, etc., para oferecer não só uma vida mais longa, mas também mais saudável, tanto física quanto psicologicamente. Esta prática mostra, por meio de exercícios práticos e dicas, o poder das coisas que vêm da Natureza e como aplicá-las em nosso benefício.



Ainda na Ayurveda existem os doshas, segundo os quais o homem pertence a um destes três tipos: Vatta, Pitta ou Kapha, cada qual com suas particularidades: constituição física, pontos fracos e fortes.



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